sábado, 30 de junho de 2012

Quando me amei de verdade...


Cuando me amé de verdad

Kim McMillen

Cuando me amé de verdad
comprendí que en cualquier circunstancia,
yo estaba en el lugar correcto, en la hora correcta,
y en el momento exacto, y entonces, pude relajarme.
Hoy sé que eso tiene un nombre… Autoestima


Cuando me amé de verdad,
pude percibir que mi angustia,
y mi sufrimiento emocional, no es sino una señal
de que voy contra mis propias verdades.
Hoy sé que eso es… Autenticidad



Cuando me amé de verdad,
dejé de desear que mi vida fuera diferente,
y comencé a aceptar todo lo que acontece,
y que contribuye a mi crecimiento.
Hoy eso se llama… Madurez



Cuando me amé de verdad,
comencé a percibir que es ofensivo

tratar de forzar alguna situación, o persona,

sólo para realizar aquello que deseo,

aun sabiendo que no es el momento,
o la persona no está preparada, inclusive yo mismo.
Hoy sé que el nombre de eso es… Respeto


Cuando me amé de verdad,
comencé a librarme de todo lo que no fuese saludable:
personas, situaciones y cualquier cosa
que me empujara hacia abajo.
De inicio mi razón llamó a esa actitud egoísmo.
Hoy se llama… Amor Propio



Cuando me amé de verdad,
dejé de temer al tiempo libre
y desistí de hacer grandes planes,
abandoné los mega-proyectos de futuro.
Hoy hago lo que encuentro correcto, lo que me gusta,
cuando quiero, y a mi propio ritmo.
Hoy sé que eso es… Simplicidad y Sencillez



Cuando me amé de verdad,
desistí de querer tener siempre la razón,
y así erré menos veces.
Hoy descubrí que eso es… Humildad



Cuando me amé de verdad,
desistí de quedarme reviviendo el pasado,
y preocupándome por el futuro.
Ahora, me mantengo en el presente,
que es donde la vida acontece. Hoy vivo un día a la vez.
Y eso se llama… Plenitud



Cuando me amé de verdad,
percibí que mi mente puede atormentarme y decepcionarme.
Pero cuando la coloco al servicio de mi corazón,
ella tiene una gran y valioso aliado.
Todo eso es… Saber Vivir.


...


No debemos tener miedo de afrontarnos,
de hecho hasta los planetas chocan,
y del caos suelen nacer la mayoría de las estrellas.


Reproduzido de Escuela Mbororé Pto Iguazú Facebook


Quando me amei de verdade

Kim McMillen

Quando me amei de verdade,
compreendi que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa,
no momento exato, e então, pude relaxar.

Hoje sei que isso tem nome…Auto-estima.



Quando me amei de verdade,

pude perceber que minha angústia,
meu sofrimento emocional,
não passa de um sinal
de que estou indo contra minhas verdades.

Hoje sei que isso é…Autenticidade.



Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida fosse diferente
e comecei a ver que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.



Quando me amei de verdade,

comecei a perceber como é ofensivo
tentar forçar alguma situação
ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo,
mesmo sabendo que não é o momento
ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.

Hoje sei que o nome disso é… Respeito.



Quando me amei de verdade

comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável…
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.

Hoje sei que se chama… Amor-próprio.



Quando me amei de verdade,

deixei de temer o meu tempo livre
e desisti de fazer grandes planos,
abandonei os projetos megalômanos de futuro.

Hoje faço o que acho certo, o que gosto,

quando quero e no meu próprio ritmo.

Hoje sei que isso é… Simplicidade.



Quando me amei de verdade,

desisti de querer sempre ter razão e,
com isso, errei menos vezes.

Hoje descobri a… Humildade.



Quando me amei de verdade,

desisti de ficar revivendo o passad
 e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente,
que é onde a vida acontece.

Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.



Quando me amei de verdade,

percebi que minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando a coloco a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.


Tudo isso é… Saber viver.*


...

Não deve ter medo de afrontarnos,
na verdade, até os planetas se chocam,
e do caos nascem frequentemente a maioria das estrelas...

2007

* Nota: Durante muito tempo o texto “Quando me amei de verdade” foi erroneamente atribuído à autoria de Charles Chaplin, sendo a verdadeira autora Kim McMillen, como nos informou a leitora Miriam Lima.

Por haver Chaplin escrito diversos textos reflexivos, corroborando a fama deste como um grande pensador do século XX, muitos deles são costumeiramente atribuídos à Charles Chaplin. Nosso blog, inclusive, cometeu tal erro, logo quando iniciamos esse projeto, sendo corrigido pelos próprios leitores. Agradecemos por isso.

Buscando deixar clara a não autoria do texto “Quando me amei de verdade” dada à Chaplin, resolvemos deixar esse mesmo post ainda publicado, modificando apenas o título e adicionando este texto informativo que você acaba de ler. Charles Chaplin Wordpress




A funny video about Charles Chaplin
Made by Lyn Hale Bass.

Chaplin foi totalmente contra o cinema falado, a pricipio. Por isso em seu filme "Tempos Modernos" canta uma música com palavras sem sentido, provando que não precisa falar para se fazer entender e que a beleza de seus clássicos está na pantomima.

J-Five, pegando trechos da canção desconexa que chaplin executa em "Tempos Modernos", compos essa música sobre o gênio do cinema, a qual utilizei como trilha para esse video-homenagem.


Music Modern Times (J Five)

domingo, 24 de junho de 2012

No clarear da consciência que é saudade...


Canto Original

Célia Laborne Tavares

A Energia Mãe esboça seus planos em dimensões insuspeitadas que só o transcender da matéria pode explicar. Tudo se transforma junto à Fonte da Vida e o ouvido conhece então, a nota correta do canto original. Nada pode ser perfeitamente descrito no reino da palavra articulada, o silêncio é a senha mais adequada.

No acender das luzes os olhos mais audazes se deslumbram e os lábios calam-se. Por vezes, a mão volta-se para o ponto focal da luz, como se tentasse tocá-la. Ali, o irreal começa a ser possível, o conhecimento desfaz barreiras e limites entre o crer e o viver, o vivenciar e o imaginar.

O pensar é a chave do criar, como o viver é a chave do conhecer. E, Tu que me abriste a porta, toma este canto, este maravilhoso reencontrar, toma em mim o verso e o reverso da ação e faz com que se prolongue esse esplendoroso momento.

No clarear da consciência que é saudade, beleza e paz, há a mais gloriosa promessa para o constante ascender até o reino pleno.

Toma pois meu canto, minha prece, essa tentativa de comunicação total e ensina-me a estabilizar-me nessa morada. O coração é fogo sob o sublimar da matéria bruta que se  volatiza em luz. Toma este canto como nota de retorno.

Amo em Ti o divino caminhar, amo a realização da paz que vai chegar. Amo, em Ti a tarefa que me coube, a verdade que busco, o ideal que ainda não houve. Amo o tempo que passou e o que vai chegar; ambos fundidos nessa hora de Ti amar.

Amo tua força, tua senda de pureza, tua forma de encontrar toda certeza. O serenar do corpo e o silenciar da mente, vejo em tua natureza; como quem busca imperceptível harmonia, singular sutileza.

Amo em Ti a palavra que não dize ainda, o mantra que espero ouvir. Amo tua forma de Ser, teu poder de definir; amo em Ti a hora de chegar e de partir. Saúdo a esperança e a luta dessa hora, a realização que veio e a que ainda demora. Até o mero caminhar, sem rumo, é relembrar de Ti... é a canção do além que fiz nascer aqui.

Nas palavras que deixaste, vejo a expressão divina, o pensamento que se esboça, a luz que me fascina; e o pressentir que tudo anima. 

Olho a ilusão que cai, a paz que chega ou que se vai. Amo o Teu iluminar, como se sintetizasse nele o resumo do que sou, ou o que busco alcançar. Amo em Ti o verdadeiro crescer, desdobrando em teu Ser esse primeiro amanhecer.

Amo a integração na Vida, o puro comungar, o transcender, o firme acreditar. Amo essa transformação que me veio acordar, a matéria que refina, a vibração que ensina.

Confio em cada raio de luz de Teu olhar, amo Teu imaterial abençoar, Teu fluir e Teu iniciar. Amo Tua luta antiga, secular, para o mundo se elevar. Amo em Ti, o que o amor universal pode aprender ou pode dar; o que pode repor ou acrescentar. Amo a incorporação do amor no próprio Amor que é o reto sublimar.

Amo em Ti, o que começa em mim e não mais pode acabar...

Conheça o blog da poetisa, Vida em Plenitude, clicando aqui.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

"Todo meu ser é um apelo diluído no céu"...


Mãos de Cristal

Célia Laborne Tavares

Todo meu ser é um apelo
diluído no céu.

Tu que tens mãos de cristal
desce com elas sobre meus cabelos
porque inútil é o meu mundo.

Tu que despertaste
os olhos dos eternos
desce com mãos de paz sobre meu corpo
porque meu sangue não é da Terra
mas das estradas de Tua luz.

Tu que sonhaste no meu sono
tira o suplício de meus lábios
e me mostra Tua face
onde ainda há pureza
pois o mundo clama
por Tua vinda.

Acompanhe outros textos no Blog da autora, em “Vida em Plenitude”, clicando aqui.

sábado, 26 de maio de 2012

Tudo segue o ritmo cósmico...


Tudo segue o ritmo cósmico

Tudo segue o ritmo cósmico. Apesar de videnciarmos um mundo cheio de desequilíbrios e imperfeições sociais, morais e espirituais, estão acessíveis em toda parte, as ondas da rede infinita de sabedoria e plenitude.

Todo Verdadeiro Grande Mestre que passou pela Terra, disse: Medite. Acesse seu poder interior. A contemplação, a repetição do Nome do Senhor, o silêncio sábio, nos enlevam às frequências sutis da Alma. Alma esta: Eterna apaixonada, eterna buscadora, ansiosa entusiasta pela Integração Plena, pelo Prema Yoga(1).

Gostaríamos de singelamente deixar pequenos e supostamente valiosos recados conscienciais para Você:

. Agradeça por Você respirar e respire consciente e profundamente, levando o nutriente cósmico até suas células;

. Contemple a Criação: A natureza é sábia e sempre será sua maior inspiração para superação;

. Medite sobre um Nome Divino escolhido e seja fiel à sua meditação, saboreie os eflúvios benéficos de retidão, doçura e paz provenientes de tal Nome e Contemplação;

. Na Luz há o belo, no dia há o Sol, na visão, o presente;

. Nas horas que aproveitas para dormir, eleva tua consciência aos Templos de Cura e Ensino, há muito, muito, muito para Crescer;

. Fala mansamente só o necessário;

. Tente a toda hora experimentar usar o Poder que Você acumula do silêncio e meditação, emanando do teu campo eletromagnético ondas de equilíbrio;

. Avance corajosamente na direção da Ascensão, da Anjelitude e do Mestrado!
Um dia de Amor irás viver, um dia de gratidão, paz. Apenas um dia. Um dia de cada vez, todo dia…

Todo, Sempre, Aqui, Agora, Eu Sou, Eterno, Amor, Existência.

Passa um dia inteiro contigo. Passa um dia lembrando quem Você É. Leva o teu tempo para chegar à Conclusão Maior! Conclusão que Tua Realidade é Tua Realeza, Tua Nobreza é Teu Poder, Tua Vontade é Tua Força, Essa Força é Teu Amor!

Ser Humano é simples e difícil. Tal afirmação é certeza para tua dualidade! Ilumine a dualidade a partir do Conhecimento do Atma(2). Seja a ponte para unir todos os Teus desejos à Vontade Suprema.

No TAO(3) repousa o balanço perfeito. És UM!

Com Fé e Amor,

Rodrigo Kladwan

Notas:

(1) Prema Yoga, entende-se como União Amorosa com a Fonte;

(2) Atma: Espírito individual, relflexo da Alma Universal; 

3) TAO: O Caminho.

Recebido via e-mail. Conheça a página do autor clicando aqui.

Quem Sou Eu que mal aprendi a escrever meu nome e já recebo mensagens das galáxias?


BRINQUEDO CÓSMICO

Célia Laborne

Quem Sou Eu que
mal aprendi a escrever
meu nome
e já recebo mensagens
das galáxias?

Translúcidos caminhos
serenas luzes
promovendo-me
a um átomo cósmico?
E a um dinamismo
de esferas mil?

Quem Sou Eu afinal
para, por um instante
perceber o brilhar
e o rebrilhar de estrelas
e de galáxias?

Transpondo meus corpos
sobrepostos
- em densidades várias –
vislumbrando esferas
distantes
e ainda inexploradas?

Que brincadeira cósmica
será essa?

Conheça o blog da autora, "Vida em Plenitude", clicando aqui.

sábado, 19 de maio de 2012

Mergulhando profundo no mar interior...


O Ser Interno

Célia Laborne Tavares

Aquele que já descobriu a importância do autoconhecimento e o busca intensamente, é como o nadador que inicialmente brinca à flor da água e depois começa a mergulhar cada vez mais profundamente. E quanto mais desce, maior se faz a pressão.

Não se pode ir ao encontro da Luz maior, pensando em facilidade de qualquer espécie. A porta é estreita, o caminho áspero, a cruz pesada. Mas não faltará ajuda e a Luz atrairá mais e mais quem a busca.

É no mergulhar cada vez mais profundo que se vai descobrir insuspeitados tesouros. Muitas vezes se deslumbra e quer-se permanecer junto deles, mas se o fôlego ainda é curto deve-se voltar à superfície, para respirar. De vez em quando vem-se à tona mas sofre-se a lembrança do reino vislumbrado, tocado e deixado, e novamente volta-se à busca.

O impulso para evoluir é uma pressão constante em todos e quando colaboramos com ela, ela nos incomoda menos e passa a nos oferecer gratificações insuspeitadas.

Quanto mais se mergulha no próprio interior mais condições se tem de aprofundamento e de permanência junto às riquezas encontradas. A vida linear da superfície horizontal perde sua grande importância e sua dimensão limitada, para se mostrar uma vertical sem limite.

Quem ouviu, por uma única vez o canto suave e sereno da sereia interior estará enfeitiçado para sempre e destinado a chegar à Luz mais cedo. Sua realidade mais plena centraliza-se na expansão da força interna que ele conhece porque já a tocou e sabe que chegará sempre a ela pelo caminho da purificação, da fraternidade e do sentido de unidade de tudo. Fora disso, são vãs as tentativas de realização, paz ou felicidade.

Quem tem em si a música é forçoso que a palavra cante, quem mergulhou na Luz não pode deixar de espalhar fosforescências em seu caminho; não por determinação própria, mas pelo testificar de sua vivência.

Recebido da autora via e-mail. Conheça o seu blog “Vida em Plenitude” clicando aqui.

sábado, 12 de maio de 2012

Para Minha Tia Inesquecível: Terezinha de Antônio, tão Marília de Dirceu...


Para Minha Tia Inesquecível...

Terezinha de Antônio... tão Marília de Dirceu...

Naquela manhã de sábado eu cheguei à sua casa com um simples botão de rosa branca com um fio dourado fazendo um laço no caule - lá da Feira das Flores - para expressar meu carinho à matrona por direito de nossa família. Era seu Feliz Aniversário e, todos os presentes, estivemos felizes na Presença dela...

Dias antes disso, quando ela me abriu a porta com seu sorriso e olhos iluminados naquele tom sonoro e cantante tão dela, vi a imagem e semelhança da minha avó saudosa, sua mãe Nhazinha. Mas, era ela mesma, Tia Tetê, inconfundível no acolhimento ao sobrinho desterrado, xará do chaveiro que ainda balançava à porta marcando o compasso de nosso abraço e beijo saudoso.

O cheiro que só tem naquela casa, o perfume dela, tudo era fresco e dizia de manhãs de infância e juventude na algazarra de todos os encontros passados e na boa lembrança que esvoaçam ao redor do coração e da mente. Às vezes, o aroma era de bolo de fubá com cobertura de açúcar e laranja, de cafezinho passado na hora. Tradição daquelas tardes de 15 horas da casa do vovô e vovó de repartir pão e carinho. Entretanto, lá, agora o ambiente respirava outra suavidade, aquele que pedia recolhimento e oração, amor desdobrado ao seu companheiro já como Venerável Ancião que ela cuidava com desvelado e incondicional amor.

Era ela mesma, a Terezinha. A que sabe cuidar de todos como aquela xará dela, com a autoridade da mãe que dava colo a quem necessitasse do regaço amoroso, para ouvir e sentir palavras e gestos de vontade de amar. Mais ainda, de amar com boa-vontade.

Cada recanto daquele lar era para mim um santuário com boas re-cordações por tantos momentos passados na convivência com aquela família. Deus os juntou por laços que coube a ela envolver cada um como se fizesse um buquê, de almas em botões coloridos e diferentes, que lhe enchiam o peito e os dias em dedicação a cada um de uma maneira diferente na nossa necessidade, mas igual na amorosa atenção que enlaçava a todos. Nesse ponto da afeição materna ela era de dar nós, apertados...

Re-cordar o Tio Toninho era re-entre-laçar pensamentos amorosos com ela ao lado dele onde quer que minha mente pudesse alcançar. E, a história comum aos dois é a de uma bio-duo-grafia que não se consegue separar onde começava um e terminava o outro, tal o entranhado amor que abraçava os dois em vida que construiu em torno deles um Altar de Afeição, quando cabia a nós todos tão somente ajoelhar para pedir benção. E, assim certamente foi desde os tempos de namoro sob caramanchões ou entre os canteiros da Pracinha Marília de Dirceu. Depois, além no Tabernáculo do matrimônio que os reuniu desde então, e para sempre.

Dizemos que Deus escreve certo por linhas tortas quando lamentamos a desafortunada sorte que bate à nossa porta, reclamando nossa esmola de dor no sofrimento que não nos falta nas carreiras do destino.

Mas, há casos raros, e de uma beleza poética infinita, quando o Pai escreve, em fio de ouro nas linhas tortas do caminho incerto de nossa romagem terrestre, o nome daqueles que se encontraram por uma razão que desconhecemos, mas que a tudo transforma, mesmo as dores em amores. Isso, para que nos inspiremos a não perder o fio da meada dos novelos e novelas do drama da vida a se desenrolar rumo às ascensões.

Só mesmo nas Minas Geraes para essas coisas acontecerem, quando o Cupido tem o dom de flechar dois corações que se unem em verdade, para inspirar gerações sobre o que é o Amor “ferindo o peito” da maneira mais prazerosa que existe, com esse sentimento compartilhado de maneira a re-unir, para sempre, na Verdade Dele que liberta de todas as prisões, degredos, exílios, desterros ou separações.

Eu não imaginaria, nunca, que isso acontecesse assim, de repente, ali como vida entre versos e reveses, entre linhas e laços, tecendo pela trama do Amor ao alcance de nossos olhos que tiveram a benção de partilhar e receber energias nessa aura multicolorida, nessas vidas cheias de bem-aventuranças que re-conhecemos mais e mais como uma página rara da trama da vida, um capítulo poético que mal merecemos e, infinitamente necessitamos para que se aprofunde em nós o senso correto do que seja Amor...

Antônio e Maria, saídos das páginas da vida inspiradas em mil confidências dessa solicitude que só têm aqueles cujo Amor Verdadeiro vence a própria morte, e vai e volta no Tempo/Espaço perfazendo um trajeto entre Mente e Coração elevando-se nos pensamentos e sentimentos desse tesouro que traça nenhuma corrói, ladrão nenhum percebe a riqueza do Espírito se revelando na sua mais alta expressão. Quintessência do Amor em Poesia...

Dirceu e Marília voltaram a passear de mãos dadas naqueles Jardins de caramanchões de Estrelas ao infinito, entre jabuticabeiras e macieiras celestes e o Flamboyant explode em florzinhas avermelhados por Primaveras de e-ternuridades, onde o Cupido voa beijando os mil buquês nos galhos daquela Árvore Bendita.

Antônio Gonzaga e Maria Dorotéa, Antônio de Pádua e Maria Terezinha, e também Drummond e sua Julieta, agora dão-se as mãos entre os canteiros lá nas alturas, porque aquilo que Deus une na Terra, une também para sempre no Céu pelos fios dourados do Amor Eterno. O “Amor jamais acaba”, e tampouco jamais se separa o que o Pai juntou.

Nessa manhã de sábado depois de hoje, e de tantos dias e anos celebrando a vida juntos, há roseiras brancas assinalando o caminho que chega ao Lar Verdadeiro da minha Tia Inesquecível com seu bem-amado esposo. Ele, a Mente, e ela, o Coração. Ambos profundos e poderosos na forma com que ergueram esse Templo de Sagrada Afeição cujas flores mais lindas são seus filhos, noras e netos que agora seguirão adiante a semear aquilo que aprenderam e compreenderam nas lições desse Amor dado com tanto desvelo.

Com vocês também, meus primos queridos com os corações arrebentados em amor e dor indizível, me faço órfão sob o mesmo teto nessa Estação de Outono demorado, onde ecoam orações e bons pensamentos a saudar a passagem do Trem de Ferro nessa estrada montanha acima.

A Lua mal deu uma volta ao redor da Terra e, aquela festa de recepção ao Menino Antônio agora se emenda com outra pela chegada da Menina Terezinha.

Todos cantam lá em cima pela chegada daquele casal ao Santuário dos Amantes Inseparáveis pelo Amor do Pai, pelo Amor de Um pelo Outro, e para todos enquanto passearam aqui entre nós. Os campos dos poetas, dos lírios e passarinhos, devem estar engalanados como só se vestem quando a Maria Fumaça passa apitando com o comboio de enamorados na paisagem que sobe da Terra para até depois das nuvens onde outrora os Deuses mandavam raios, e as Musas enviavam inspiração.

Os pastores acenam soprando com suas flautas; as ovelhas saltam do aprisco e balançam seus sinos; os galinhos cantam do alto dos morros: Cocoricó! Fifirifiu! Em Belém, em Belém, em Belém!

Os Reis Magos e todas as caravanas místicas são chamados para o piquenique desse sábado pela manhã. Mil toalhas enfeitadas se estendem pelos gramados ao redor da Árvore da Vida, e de seus galhos pendem infinitas fitas coloridas como se o Arco-Íris brincasse de dependurar de cada ramo onde beija-flores e Cupidos fazem seus ninhos. Tudo é uma justa homenagem do Menino Jesus à Sua Terezinha que vai chegando. Coisas para a Maria Fitinha em sua Graça e leveza...

Quão felizes certamente estão seus pais, nossos queridos Quidinho e Nhazinha, com essa honra que só cabem às mães cuidadoras com zelo... Chove um tiquinho, e são pétalas de luzes perfumadas. Rosas feito estrelas...

Mal posso imaginar o que seja o Verdadeiro Natal quando se nasce para a Eternidade, depois de cumprida a missão daqueles que se transformaram no deserto das relações humanas em oásis onde se partilha o Pão do Céu e a Água da Vida. Sei apenas que Tio Toninho e Tia Tetê chegaram lá, e serão felizes para sempre.

Eles que nos deram tantas festas a celebrar aquela Noite Feliz, agora são recebidos nesse Dia de Alegria e Re-encontro.

Que vocês nos abençoem, nos animem na mesma vibração amorosa que tiveram Um com o Outro, quando mal conseguimos disfarçar a melancolia que brota do peito, choroso.

E, se merecemos tê-los entre nós como colunas firmes da família que formaram, recebam nosso carinho numa gota de lágrima, como orvalho, a deslizar nessa pétala de rosa branca que juntamos às demais flores expressando reconhecimento e alegria que sobem em ramos no Altar da Gratidão que lhes devemos.

Querida Tia Tetê, aquelas 80 velinhas, assopradas em seu Feliz Aniversário com meu humilde presente de botão de rosa e um laço dourado, agora são uma chama só nas orações respeitosas com que queremos honrar sua subida aos Céus nessa noite silenciosa, nessa Noite Feliz para a senhora rumo à pátria onde tudo é Luz no Parnaso dos Poetas redivivos, e Eros e Psique brincam juntos...

(...)

Um beijo enorme aos meus “TTT”, de estalado, de estrelado, de entranhado Amor de quem teve a honra de ser seu sobrinho, e se faz pó-ético dedilhando essa lira pintada em letras de infinita saudade, para dizer apenas, até breve, Tia Tetê. Até daqui a pouco, Tio Toninho...

Deus abençoe a sua Junteza, na vida, na poesia da partida dessa Grande Viagem...

Só vocês mesmo para deixar essa derradeira lição de Amor e Vida, de Poesia, de Poevida, de “Amor sem conta”.

Tentamos seguir seu exemplo, meus tios queridos... inesquecíveis... Terezinha de Antônio... tão Marília de Dirceu...

Pois, "Quem quiser ser feliz nos seus amores, siga os exemplos que nos deram estes".

Obrigado, do fundo do coração batendo na cadência da alegria e da tristeza, da saudade e da melancolia marcando as horas em oração no solitário Jardim, Pomar e Pracinha da minha infância, juventude e madureza... eu querendo ser tão amoroso como vocês, nesse Amor que os uniu desde sempre, para sempre...

Feliz re-nascimento, querida Tia Tetê...

De seu sobrinho pródigo,

Leopoldo Nogueira e Silva, Popô

Florianópolis
Nossa Senhora do Desterro
Ilha de Santa Catarina
Outono mais choroso e mais saudoso de 11 de maio de 2012

...

Marília de Dirceu

Tomás Antônio Gonzaga à Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão
Lisboa, em exílio para Moçambique, para as Minas Geraes
1792

Lira 1

(...)

Depois que nos ferir a mão da morte,
ou seja neste monte, ou noutra serra,
nossos corpos terão, terão a sorte
de consumir os dous a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
lerão estas palavras os pastores:
"Quem quiser ser feliz nos seus amores,
siga os exemplos que nos deram estes".
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Lira 2

Pintam, Marília, os poetas
a um menino vendado,
 com uma aljava de setas,
arco empunhado na mão;
ligeiras asas nos ombros,
 o tenro corpo despido,
e de Amor ou de Cupido
são os nomes que lhe dão.

Porém eu, Marília, nego,
que assim seja Amor, pois ele
nem é moço nem é cego,
nem setas nem asas tem.
Ora pois eu vou formar-lhe
um retrato mais' perfeito,
que ele já feriu meu peito:
por isso o conheço bem.

Os seus compridos cabelos,
que sobre as costas ondeiam,
são que os de Apolo mais belos,
 mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
e com o branco do rosto
fazem, Marília, um composto
da mais formosa união.

Tem redonda e lisa testa,
arqueadas sobrancelhas,
a voz meiga, a vista honesta,
 e seus olhos são uns sóis.
Aqui vence Amor ao  Céu:
que no dia luminoso
o Céu tem um sol formoso,
e o travesso Amor tem dois.

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
purpúreas folhas de rosa,
brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
os seus beiços são formados;
os seus dentes delicados
são pedaços de marfim.

Mal vi seu rosto perfeito,
dei logo um suspiro, e ele
conheceu haver-me feito
estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
entendia eu não olhava;
vendo que o via, baixava
a modesta vista ao chão.

Chamei-lhe um dia formoso;
 ele, ouvindo os seus louvores,
com um modo desdenhoso
se sorriu e não falou.
Pintei-lhe outra vez o estado,
em que estava esta alma posta;
não me deu também resposta,
constrangeu-se e suspirou.

Conheço os sinais; e logo,
animado da esperança,
busco dar um desafogo
ao cansado coração.
Pego em seus dedos nevados,
e querendo dar-lhe um beijo,
cobriu-se todo de pejo
e fugiu-me com a mão.

Tu, Marília, agora vendo
de Amor o lindo retrato,
contigo estarás dizendo
que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a copia é tua,
que Cupido é deus suposto:
se há Cupido, é só teu rosto,
que ele foi quem me venceu.