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domingo, 22 de julho de 2012

Os Três Porquinhos: "As ideologias que ensinamos às crianças"...

As ideologias que ensinamos às crianças...

Ligia Deslandes

Hoje, fiquei tentada pelo meu filho de 25 anos a escrever sobre a consciência política e os valores das novas gerações. No caso, as nossas crianças e os nossos jovens e adolescentes. Sou mãe de quatro filhos e avó de dois netos. Fora isso, sou sindicalista e professora! Além disso, promovo um projeto cultural de dança voltado a jovens e adolescentes.

No bojo de tudo isso o que estou tentando fazer é empreender esforços para que crianças e jovens possam ter uma educação de qualidade. A qualidade não da informação, que isso hoje existe aos borbotões, de várias nuances e com vários significados, mas, a qualidade da formação política, da consciência cidadã, a educação descolonizada, que nos falta a muitos.

Meus professores universitários foram importantíssimos para ajudar a despertar em mim o que já existia desde tenra idade, mas, meus professores da escola básica, esses, foram fundamentais junto com meus pais a me incutir os valores e crenças sociais. Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos...

Mas, voltando ao meu filho, que foi quem me provocou a fazer esse texto, reproduzo aqui a história que ele contou a seu filho, meu neto, dos Três Porquinhos. Confesso que fiquei orgulhosa da inovação dele e vivenciei de outra forma (como se não soubesse) a responsabilidade que os pais tem nas crenças dos filhos.

"Era uma vez um lobo solitário que queria muito ter amigos. Nas suas andanças procurando um amigo encontrou um porquinho que vivia numa casa de palha. O porquinho olhou o lobo pela janela e ao ver sua aparência, preto, alto, forte, uma boca enorme e cheia de dentes, ficou desconfiado e não abriu a porta.

O lobo gritava para o porquinho. Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo! E de tanto gritar e por ser forte e grande, a força de seu grito fez desmoronar a casa de palha do porquinho que já estava discriminando o lobo por sua aparência, mais assustado ainda ficou e fugiu. O lobo foi atrás do porquinho gritando: Eu quero ser seu amigo!  Eu quero ser seu amigo!

O porquinho entrou na casa de madeira de seu irmão e lá ficou. O irmão do porquinho olhou o lobo e julgando-o como seu irmão pela aparência não abriu a porta! O lobo continuou a gritar: Quero ser seu amigo! Quero ser seu amigo! E de tanto gritar e seu grito era forte, derrubou a casa de madeira do irmão do porquinho, que abrigava os dois porquinhos que também não tinha alicerces como a casa de palha. Os dois porquinhos fugiram para a casa de tijolos de seu outro irmão e o lobo foi atrás, sempre gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O terceiro irmão também discriminou o lobo pela sua aparência e não deixou ele entrar na casa. E o lobo continuou gritando. Depois de algum tempo, começou uma chuva torrencial. E o lobo lá fora gritando: Eu quero ser seu amigo!

Só então, os porquinhos admirados pela constância do lobo em continuar ali gritando na chuva, resolveram sair para saber o que ele queria. Ouviram então o lobo emocionado dizer: Eu quero ser seu amigo! Juntos podemos mais!

Ainda desconfiados, chegaram perto do lobo, que todo molhado os abraçou e só então, só então mesmo, eles deixaram o lobo entrar na casa. E dali em diante lobo e porquinhos se tornaram amigos inseparáveis cada um fazendo o que sabe para tornar a vida na floresta um pouco melhor."

Vou restringir aqui os comentários do meu filho com o filho dele a respeito da história. Pois, ele tece comentários junto com o texto. Ah, esse meu neto só tem 10 meses. Mas, segundo ele presta muita atenção a história e só dorme quando ele termina. Vou restringir também meus comentários. Vocês leram a história e podem tirar suas conclusões!

A consciência política começa desde pequenino.

Reproduzido de Ligia Deslandes
22 jul 2012

Comentário de Filosomídia:

Essa linda estória de amizade e solidariedade, e compromisso e amor pela educação entre avó, filho e netos me deixou co-movido...

Lígia, falou e disse, toca numa ferida aberta que não cicatriza...

“Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos”...

E, fantástica a estória dos Três Porquinhos contatada por seu filho aos netos. Compartilho contigo, Lígia, o orgulho que tive também ao ler o texto. Sim, “juntos podemos mais” e é desse jeito que vamos re-evolucionar o mundo, provocar re-vira-voltas!

Lindo, lindo, co-movente...

Obrigado a vocês e um abraço, um beijo e um pedaço de queijo para seus netos.

(...)

Os Três Porquinhos é um conto de fadas cujos personagens são exclusivamente animais. As primeiras edições do conto datam do século XVIII, porém, imagina-se que a história seja muito mais antiga. Wikipedia

sábado, 12 de maio de 2012

Para Minha Tia Inesquecível: Terezinha de Antônio, tão Marília de Dirceu...


Para Minha Tia Inesquecível...

Terezinha de Antônio... tão Marília de Dirceu...

Naquela manhã de sábado eu cheguei à sua casa com um simples botão de rosa branca com um fio dourado fazendo um laço no caule - lá da Feira das Flores - para expressar meu carinho à matrona por direito de nossa família. Era seu Feliz Aniversário e, todos os presentes, estivemos felizes na Presença dela...

Dias antes disso, quando ela me abriu a porta com seu sorriso e olhos iluminados naquele tom sonoro e cantante tão dela, vi a imagem e semelhança da minha avó saudosa, sua mãe Nhazinha. Mas, era ela mesma, Tia Tetê, inconfundível no acolhimento ao sobrinho desterrado, xará do chaveiro que ainda balançava à porta marcando o compasso de nosso abraço e beijo saudoso.

O cheiro que só tem naquela casa, o perfume dela, tudo era fresco e dizia de manhãs de infância e juventude na algazarra de todos os encontros passados e na boa lembrança que esvoaçam ao redor do coração e da mente. Às vezes, o aroma era de bolo de fubá com cobertura de açúcar e laranja, de cafezinho passado na hora. Tradição daquelas tardes de 15 horas da casa do vovô e vovó de repartir pão e carinho. Entretanto, lá, agora o ambiente respirava outra suavidade, aquele que pedia recolhimento e oração, amor desdobrado ao seu companheiro já como Venerável Ancião que ela cuidava com desvelado e incondicional amor.

Era ela mesma, a Terezinha. A que sabe cuidar de todos como aquela xará dela, com a autoridade da mãe que dava colo a quem necessitasse do regaço amoroso, para ouvir e sentir palavras e gestos de vontade de amar. Mais ainda, de amar com boa-vontade.

Cada recanto daquele lar era para mim um santuário com boas re-cordações por tantos momentos passados na convivência com aquela família. Deus os juntou por laços que coube a ela envolver cada um como se fizesse um buquê, de almas em botões coloridos e diferentes, que lhe enchiam o peito e os dias em dedicação a cada um de uma maneira diferente na nossa necessidade, mas igual na amorosa atenção que enlaçava a todos. Nesse ponto da afeição materna ela era de dar nós, apertados...

Re-cordar o Tio Toninho era re-entre-laçar pensamentos amorosos com ela ao lado dele onde quer que minha mente pudesse alcançar. E, a história comum aos dois é a de uma bio-duo-grafia que não se consegue separar onde começava um e terminava o outro, tal o entranhado amor que abraçava os dois em vida que construiu em torno deles um Altar de Afeição, quando cabia a nós todos tão somente ajoelhar para pedir benção. E, assim certamente foi desde os tempos de namoro sob caramanchões ou entre os canteiros da Pracinha Marília de Dirceu. Depois, além no Tabernáculo do matrimônio que os reuniu desde então, e para sempre.

Dizemos que Deus escreve certo por linhas tortas quando lamentamos a desafortunada sorte que bate à nossa porta, reclamando nossa esmola de dor no sofrimento que não nos falta nas carreiras do destino.

Mas, há casos raros, e de uma beleza poética infinita, quando o Pai escreve, em fio de ouro nas linhas tortas do caminho incerto de nossa romagem terrestre, o nome daqueles que se encontraram por uma razão que desconhecemos, mas que a tudo transforma, mesmo as dores em amores. Isso, para que nos inspiremos a não perder o fio da meada dos novelos e novelas do drama da vida a se desenrolar rumo às ascensões.

Só mesmo nas Minas Geraes para essas coisas acontecerem, quando o Cupido tem o dom de flechar dois corações que se unem em verdade, para inspirar gerações sobre o que é o Amor “ferindo o peito” da maneira mais prazerosa que existe, com esse sentimento compartilhado de maneira a re-unir, para sempre, na Verdade Dele que liberta de todas as prisões, degredos, exílios, desterros ou separações.

Eu não imaginaria, nunca, que isso acontecesse assim, de repente, ali como vida entre versos e reveses, entre linhas e laços, tecendo pela trama do Amor ao alcance de nossos olhos que tiveram a benção de partilhar e receber energias nessa aura multicolorida, nessas vidas cheias de bem-aventuranças que re-conhecemos mais e mais como uma página rara da trama da vida, um capítulo poético que mal merecemos e, infinitamente necessitamos para que se aprofunde em nós o senso correto do que seja Amor...

Antônio e Maria, saídos das páginas da vida inspiradas em mil confidências dessa solicitude que só têm aqueles cujo Amor Verdadeiro vence a própria morte, e vai e volta no Tempo/Espaço perfazendo um trajeto entre Mente e Coração elevando-se nos pensamentos e sentimentos desse tesouro que traça nenhuma corrói, ladrão nenhum percebe a riqueza do Espírito se revelando na sua mais alta expressão. Quintessência do Amor em Poesia...

Dirceu e Marília voltaram a passear de mãos dadas naqueles Jardins de caramanchões de Estrelas ao infinito, entre jabuticabeiras e macieiras celestes e o Flamboyant explode em florzinhas avermelhados por Primaveras de e-ternuridades, onde o Cupido voa beijando os mil buquês nos galhos daquela Árvore Bendita.

Antônio Gonzaga e Maria Dorotéa, Antônio de Pádua e Maria Terezinha, e também Drummond e sua Julieta, agora dão-se as mãos entre os canteiros lá nas alturas, porque aquilo que Deus une na Terra, une também para sempre no Céu pelos fios dourados do Amor Eterno. O “Amor jamais acaba”, e tampouco jamais se separa o que o Pai juntou.

Nessa manhã de sábado depois de hoje, e de tantos dias e anos celebrando a vida juntos, há roseiras brancas assinalando o caminho que chega ao Lar Verdadeiro da minha Tia Inesquecível com seu bem-amado esposo. Ele, a Mente, e ela, o Coração. Ambos profundos e poderosos na forma com que ergueram esse Templo de Sagrada Afeição cujas flores mais lindas são seus filhos, noras e netos que agora seguirão adiante a semear aquilo que aprenderam e compreenderam nas lições desse Amor dado com tanto desvelo.

Com vocês também, meus primos queridos com os corações arrebentados em amor e dor indizível, me faço órfão sob o mesmo teto nessa Estação de Outono demorado, onde ecoam orações e bons pensamentos a saudar a passagem do Trem de Ferro nessa estrada montanha acima.

A Lua mal deu uma volta ao redor da Terra e, aquela festa de recepção ao Menino Antônio agora se emenda com outra pela chegada da Menina Terezinha.

Todos cantam lá em cima pela chegada daquele casal ao Santuário dos Amantes Inseparáveis pelo Amor do Pai, pelo Amor de Um pelo Outro, e para todos enquanto passearam aqui entre nós. Os campos dos poetas, dos lírios e passarinhos, devem estar engalanados como só se vestem quando a Maria Fumaça passa apitando com o comboio de enamorados na paisagem que sobe da Terra para até depois das nuvens onde outrora os Deuses mandavam raios, e as Musas enviavam inspiração.

Os pastores acenam soprando com suas flautas; as ovelhas saltam do aprisco e balançam seus sinos; os galinhos cantam do alto dos morros: Cocoricó! Fifirifiu! Em Belém, em Belém, em Belém!

Os Reis Magos e todas as caravanas místicas são chamados para o piquenique desse sábado pela manhã. Mil toalhas enfeitadas se estendem pelos gramados ao redor da Árvore da Vida, e de seus galhos pendem infinitas fitas coloridas como se o Arco-Íris brincasse de dependurar de cada ramo onde beija-flores e Cupidos fazem seus ninhos. Tudo é uma justa homenagem do Menino Jesus à Sua Terezinha que vai chegando. Coisas para a Maria Fitinha em sua Graça e leveza...

Quão felizes certamente estão seus pais, nossos queridos Quidinho e Nhazinha, com essa honra que só cabem às mães cuidadoras com zelo... Chove um tiquinho, e são pétalas de luzes perfumadas. Rosas feito estrelas...

Mal posso imaginar o que seja o Verdadeiro Natal quando se nasce para a Eternidade, depois de cumprida a missão daqueles que se transformaram no deserto das relações humanas em oásis onde se partilha o Pão do Céu e a Água da Vida. Sei apenas que Tio Toninho e Tia Tetê chegaram lá, e serão felizes para sempre.

Eles que nos deram tantas festas a celebrar aquela Noite Feliz, agora são recebidos nesse Dia de Alegria e Re-encontro.

Que vocês nos abençoem, nos animem na mesma vibração amorosa que tiveram Um com o Outro, quando mal conseguimos disfarçar a melancolia que brota do peito, choroso.

E, se merecemos tê-los entre nós como colunas firmes da família que formaram, recebam nosso carinho numa gota de lágrima, como orvalho, a deslizar nessa pétala de rosa branca que juntamos às demais flores expressando reconhecimento e alegria que sobem em ramos no Altar da Gratidão que lhes devemos.

Querida Tia Tetê, aquelas 80 velinhas, assopradas em seu Feliz Aniversário com meu humilde presente de botão de rosa e um laço dourado, agora são uma chama só nas orações respeitosas com que queremos honrar sua subida aos Céus nessa noite silenciosa, nessa Noite Feliz para a senhora rumo à pátria onde tudo é Luz no Parnaso dos Poetas redivivos, e Eros e Psique brincam juntos...

(...)

Um beijo enorme aos meus “TTT”, de estalado, de estrelado, de entranhado Amor de quem teve a honra de ser seu sobrinho, e se faz pó-ético dedilhando essa lira pintada em letras de infinita saudade, para dizer apenas, até breve, Tia Tetê. Até daqui a pouco, Tio Toninho...

Deus abençoe a sua Junteza, na vida, na poesia da partida dessa Grande Viagem...

Só vocês mesmo para deixar essa derradeira lição de Amor e Vida, de Poesia, de Poevida, de “Amor sem conta”.

Tentamos seguir seu exemplo, meus tios queridos... inesquecíveis... Terezinha de Antônio... tão Marília de Dirceu...

Pois, "Quem quiser ser feliz nos seus amores, siga os exemplos que nos deram estes".

Obrigado, do fundo do coração batendo na cadência da alegria e da tristeza, da saudade e da melancolia marcando as horas em oração no solitário Jardim, Pomar e Pracinha da minha infância, juventude e madureza... eu querendo ser tão amoroso como vocês, nesse Amor que os uniu desde sempre, para sempre...

Feliz re-nascimento, querida Tia Tetê...

De seu sobrinho pródigo,

Leopoldo Nogueira e Silva, Popô

Florianópolis
Nossa Senhora do Desterro
Ilha de Santa Catarina
Outono mais choroso e mais saudoso de 11 de maio de 2012

...

Marília de Dirceu

Tomás Antônio Gonzaga à Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão
Lisboa, em exílio para Moçambique, para as Minas Geraes
1792

Lira 1

(...)

Depois que nos ferir a mão da morte,
ou seja neste monte, ou noutra serra,
nossos corpos terão, terão a sorte
de consumir os dous a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
lerão estas palavras os pastores:
"Quem quiser ser feliz nos seus amores,
siga os exemplos que nos deram estes".
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Lira 2

Pintam, Marília, os poetas
a um menino vendado,
 com uma aljava de setas,
arco empunhado na mão;
ligeiras asas nos ombros,
 o tenro corpo despido,
e de Amor ou de Cupido
são os nomes que lhe dão.

Porém eu, Marília, nego,
que assim seja Amor, pois ele
nem é moço nem é cego,
nem setas nem asas tem.
Ora pois eu vou formar-lhe
um retrato mais' perfeito,
que ele já feriu meu peito:
por isso o conheço bem.

Os seus compridos cabelos,
que sobre as costas ondeiam,
são que os de Apolo mais belos,
 mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
e com o branco do rosto
fazem, Marília, um composto
da mais formosa união.

Tem redonda e lisa testa,
arqueadas sobrancelhas,
a voz meiga, a vista honesta,
 e seus olhos são uns sóis.
Aqui vence Amor ao  Céu:
que no dia luminoso
o Céu tem um sol formoso,
e o travesso Amor tem dois.

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
purpúreas folhas de rosa,
brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
os seus beiços são formados;
os seus dentes delicados
são pedaços de marfim.

Mal vi seu rosto perfeito,
dei logo um suspiro, e ele
conheceu haver-me feito
estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
entendia eu não olhava;
vendo que o via, baixava
a modesta vista ao chão.

Chamei-lhe um dia formoso;
 ele, ouvindo os seus louvores,
com um modo desdenhoso
se sorriu e não falou.
Pintei-lhe outra vez o estado,
em que estava esta alma posta;
não me deu também resposta,
constrangeu-se e suspirou.

Conheço os sinais; e logo,
animado da esperança,
busco dar um desafogo
ao cansado coração.
Pego em seus dedos nevados,
e querendo dar-lhe um beijo,
cobriu-se todo de pejo
e fugiu-me com a mão.

Tu, Marília, agora vendo
de Amor o lindo retrato,
contigo estarás dizendo
que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a copia é tua,
que Cupido é deus suposto:
se há Cupido, é só teu rosto,
que ele foi quem me venceu.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu Tio Inesquecível...



Meu Tio Inesquecível - I

É impossível não me alegrar com suas brincadeiras engraçadas e seu feeling único para todas as situações. Uma enciclopédia ambulante, inteligência que não disfarça a sabedoria que só têm as “Almas Velhas” e antigas, dessas que lemos nos livros de história, de pessoas que se tornam eternas por seus feitos.

O brilhantismo do gênio no mundo inspira multidões e desperta a ira dos medíocres. E se cada geração vê chegar aquela “Grande” pessoa que traz a si as aspirações e sonhos de um povo, na medida justa da relatividade ele é esse homem que nasceu em nosso meio familiar e fraterno a quem admiramos respeitosos por ter nos estendido as mãos, para passear, conversar, abençoar ou mesmo puxar a orelha.

E, quando bravo, fazemos silêncio para escutar suas palavras que, no fundo, têm muita razão. Em minha memória ele é um homem desse tipo inigualável que “dá bronca” na gente ensinando. Fala com a autoridade de quem sabe das coisas. E, sabe mesmo! Algo assim como que o lado “Antôniomo” da querida avó do Sítio do Picapau Amarelo, “Dona Benta” Vianna de Pádua Clementino.

Personagens por “caracteres”, ver o Inspetor Clouseau travestido de mestre chinês lutando com o Kato, ou o José Vasconcelos fazendo caras e bocas, é a mesma coisa que vê-lo. Até nisso é engraçado, como me parece ele ter nascido no mesmo ano de 1927 em que Pantaleão vivia e contava suas aventuras. E, nós ouvintes e participando daqueles momentos, éramos ora alguém que chegava em visita, ora éramos a Terta, e, na maioria das vezes, éramos o próprio Pedro Bó. Só ele mesmo com suas tantas histórias bacanas, e reais.

Ele é o homem mais sério e responsável que conheço, o mais inteligente e culto, perseverante nas pequenas e grandes coisas, detalhista e metódico, bem-humorado, brilhante!

Quem resiste e não se deixa ser recebido por seus olhos miúdos, sempre vivíssimos, vibrando cheios de luz de sua meninice interior? Ele é a cátedra em pessoa para todos os que chegam até ele, aquela pessoa que queremos entrar na roda de conversas.

Ele não é um homem de duas caras, mas um homem possível de observar sobre vários ângulos que daria orgulho a Pitágoras ser colega de banco de escola, ou templo de iniciação. É aquele seu “lado” japonês que me faz descobrir nele o “Honorável Tio”. Sua estampa artística, fina, “iluminista”, me diz de sua finesse d’esprit, invejável no melhor sentido. Seu jeito elegante, sóbrio, gentleman, cheio de charme, lembra dos antigos salões ingleses em que se discutiam as grandes descobertas do mundo e, assim, ele é o meu “National Geographic” em carne e osso. Tio Toninho é que deve ter inspirado aquela história do filme “As sete faces do Dr. Lao”! Figuraço, uma “peça”, homem raro, jóia rara...

Ao mesmo tempo ele é um Einstein fazendo às vezes de Harold ou Christopher Lloyd, humorista e cientista seriamente maluco, ciência com coração num tempo só, passado, presente e futuro na sua graça. Não foi ele quem inventou o método de tirar pedra dos rins subindo na boléia de caminhão betoneira, ou de saborear o mais delicioso café num rito de vai-e-vens de mãos e xícara que terminava com um estalar de língua e exclamar de um “ahhh”?

Com todo o respeito aos Engenheiros, eles constroem casas, estradas, pontes, estradas, edifícios, cidades e impérios. Um homem de bem constrói o Reino de Deus em seu próprio coração onde cabe a família, parentes, amigos, gente que a gente mal conhece e, até mesmo os inimigos. No coração dele cabe isso tudo e, mais ainda, um universo inteiro.

Quantas personagens vemos desfilando através da poeira dos tempos que tiveram as suas lutas, fizeram suas guerras e destruíram o mundo? Há pessoas que não lutam assim e, como ele, constroem, elevam, criam oportunidades de levantar aqueles que caíram vencidos, inventam novos horizontes.

Eu passava horas e horas entre seus tesouros encadernados, lendo e folheando mil e um livros que me levavam e traziam mil e um lugares com seus cantos e contos que nem Sheherazade teria o dom de inventar. Aquela biblioteca respeitável da Rua Dionísio Cerqueira foi para mim um parque de diversão, laboratório, e também um porto de partida que me instigou a descobrir o Mundo quando o Barco do Destino me levou a viajar por mares nunca d’antes navegados, do conhecimento, da imaginação, do pensamento, do sentimento...


Noutras vezes, naquela sala enorme da casa em absoluto silêncio, sentávamos para escutar com ele uma sinfonia inteira daqueles discos que não se encontravam em lugar nenhum, senão naqueles armários abarrotados de músicas e a aparelhagem de última geração. Daí nasceu meu gosto pelos movimentos largos e “allegros ma non troppos”, pela melancolia do oboé dando sopro aos violinos nas sinfonias dos mestres da música.

Almoço de domingo ou janta de quinta-feira, lá vinha ele descendo as escadas com uma toalha na cabeça e um pires com vela à mão, se fazendo como as beatas da família que oravam todos os dias às 18 horas. Seus sobrinhos se amontoavam em gargalhadas espalhados pela casa “avoterna” em meio àquela encenação. Pequeninos demais da conta quando tudo parecia “mais maior de grande” ao redor, primos e primas tínhamos nele uma giganteza moral e ética que fazia com que todos abaixassem a cabeça em sinal de respeito. E, assim igualmente faziam nossos pais, tios e tias, certamente tantos amigos que ele fez pela vida.

Era uma aventura quando não cabia mais gente na Vemaguet que zunia em direção ao sorvete do “Seo Domingos” naquelas noites calorentas de Beagá, ou então íamos até à Kopenhagen buscar aquelas saudosas balas de pera e Nhá Bentas.

Quando passava susto na gente corríamos para o quarto de Anna, Guto ou Juquinha com a La Serenissima Donna Tamba Elizabeth di Perona, que latia freneticamente só de cheirá-lo, e nós a imaginá-lo do outro lado da porta, esperando.

Noite sem Lua, chegávamos até lá em cima escalando as cadeiras, mesa e muro do jardim de inverno, e volta e meia estávamos com ele equilibrando no telhado para contemplar estrelas que nos apontava dizendo seus nomes. Ele conhecia cada uma delas e o que nos queriam dizer dos seus brilhos, conjunções e misteriosos significados. E, faço isso até hoje.

Quantas vezes passeamos pelas cidades históricas das Minas Geraes naquele Corcel cor de mel, e nos encantávamos com sua palavra certeira sobre cada recanto, sobre detalhes que só ele sabia na sua mente cheia de paisagens, cenas, sons, sabores e cores do mundo inteiro que conheceu de perto...

...Jabuticabas em Sabará da Nossa Senhora do Ó; saudades nos acordes dos órgãos de Mariana com suas Sant’Annas; montanhas do Caraça com seus lobos e sermões do Padre Vieira; profetas de Congonhas na arte de Aleijadinho; brocados de Ouro Preto; estradas reais e imagens de tantas outras histórias que dariam panos pra muitas mangas entre conversas, causos de quem tinha na alma as tramas de tecelão e fiandeiro dos campos de cedros e cachoeiras, vozes e sapatos antigos e recentes rangendo o piso da Fazenda São Sebastião...

Num sábado de sol ou domingo de missa, pé ante pé, adentrávamos os bosques para encontrar fadas, duendes e gnomos que certamente habitavam botas esquecidas, ou talvez se escondessem atrás de cogumelos, como naquelas imagens que estampavam o livro que ganhei de aniversário na infância, presente dos parentes daquela livraria da Afonso Pena. Muitas vezes perambulei com ele pela Van Damme e outras livrarias e bibliotecas da cidade.

Cines Brasil, Jacques, Metrópole, Palladium, Pathé nos acolheram por horas e horas de lições que eu descobria em cada filme com ele. Dali que aprendi como entrar nos quadros de Van Gogh com Kurosawa e, inventando que nem ele, zanzava também nas cenas que Altavilla abria em muitas janelas de sua casa.

Do parapeito de seu escritório na Olegário Maciel eu saía a voar com mil e um roteiros em mão. Foi dali que viajei a encontrar Ubaldi que ele conheceu um dia, ao vivo e à cores. Aquele prédio foi também o meu Farol de Alexandria com seu setor do sétimo andar feito um museu vivo da história mineira, egípcia, japonesa ou chinesa ao alcance do toque dos dedos, olhos e ouvidos, todos os sentidos abertos à Presença dele como Guardião de um conhecimento que não poderia se deixar perdido nem oculto. Estava ali, com ele. Era ele.

Cada vez que releio um livro que ganhei dele tenho em suas anotações e marcas nas páginas um roteiro para refletir mais e mais, e ir atrás daquele ponto que ele também percorreu um dia.

Pai, mãe, tio, tia, primos... seu lar foi, é e será sempre minha referência de família no Altar da Afeição, no colo de Sant’Anna, Nossa Senhora, Mãe da Igreja em Fátima, Lourdes, da Boa Viagem ou da Imaculada Conceição. E, São José, Santíssima Trindade, tantas outras paróquias e capelas do Curral d’El Rey se desenhavam prateadas em navetas e turíbulos sob o olhar atento da Águia de Patmos esculpida em madeira.

Pontes e trem de ferro rodeando montanhas ou uma cidade inteira na maquete, o assobio secreto dele - fifirifiu - tinha o dom de trazer a Maria Therezinha Fumaça Fitinha no seu ritmo amoroso de “Ei, Flor”... e, ela também era o elo de ligação entre a gente, como se cada um de nós fosse um vagão, ou conta de uma prece que subisse ao Céu numa rogativa de benção na estação da família entre os trilhos na estrada de amor da vida. Laços sagrados, sobe e desce em Pipirirapaus e inesquecíveis natais em que os três “T” - Toninho e Tetê – recebiam todos ao redor do presépio... Eita, nós... que exemplo é esse de amor desses “TTT” que tudo crê, que jamais acaba, que nos inspira! Meu casório julino ficou numa estação passada, mas tive a honra de tê-los, e serão sempre os meus padrinho e madrinha no sacramento do coração.

Doce surpresa da vida, e certamente pelo Espírito de Deus assoprando as velas aonde quer, foi “depois de um longo e tenebroso inverno” que revi aquela família tão querida que também faço parte dela, com todo o orgulho que um pé de sobrinho moleque rapado como eu pode ter.

Desterrado das Montanhas de Minas numa ilha quase no fim desse mundo velho, os abracei a todos e, a ele, já passando na velocidade dos 80. Sob o calor medonho daquele dia de fevereiro sua Presença e a alegria do reencontro fez nascer de novo uma Primavera num aconchego que eu já havia quase esquecido nessa solidão de deserto de águas. Eu gostei de tê-lo visto, como ele gostou de ver o “Popô”...

E, lembrando daquelas “Seleções do Reader’s Digest” que eu lia com gosto de sua coleção desde o número 1, foi que me inspirei para escrever como naquela seção sobre “Meu tipo inesquecível”. Não preciso nem de fechar os olhos para recordar essas cenas escritas, e de tantas outras em que a Presença de Tio Toninho foi importante, marcante, determinante para minha vida.

Minha iniciação cultural, artística, intelectual e espiritual, nesse sentido de quem tem um Mestre a orientar os primeiros passos, com certeza começou com ele. Tenho essa benção, essa graça, essa oportunidade de conviver com ele. E, por reconhecimento de direito, por gratidão e pelo respeito que devo a ele, é que o Tio Toninho se tornou com muito orgulho, e honra, “Meu Tipo Inesquecível”[1]...


[1] Escrito em meados de 2009 quando fiz um memorial para meu projeto de dissertação de mestrado, logo após a visita de meu Honorável Tio e querida família em Florianópolis.


Meu Tio Inesquecível - II


"Quem não pode fazer grande coisa,
faça ao menos o que estiver na medida de suas forças;
certamente não ficará sem recompensa."

Santo Antônio de Pádua

(...)

Os anos se passaram...

Desde que eu pude sonhar de novo com as Primaveras, depois daquele encontro no meio da viagem de celebração em suas vidas, quando o Barco do Destino me trouxe as Boas Novas com a chegada da Família Vianna Clementino ao Porto dos Patos da Ilha de Santa Catarina, parece não ter demorado mais que um longo piscar de olhos para que eu voltasse a bater as asas “cansadas e abatidas à borda da estrada” e voar de novo aos meus belos horizontes. Poucos anos depois dele me ver pela Ilha do Desterro, eu gostei muito de rever o Tio Toninho entre a algazarra e o sossego de seu lar, palco e coração de tantas cenas e encontros que só os laços do amor sabem alinhavar no tecido da vida que se renova.

Entristecido por senti-lo ali, angustiado na cadeira de rodinhas, o admirava mais ainda por nem assim vê-lo perder o bom-humor e participar de tudo o que acontecia ao redor com aquela paciência de quem já fez de tudo e, observa os aprendizes na compaixão do Mestre silencioso que anima os estudantes barulhentos. Mas, a angústia era minha. Seus olhinhos miúdos se despediam de nós na alegria da festa com bolo e vela, e até um extintor de incêndio apareceu, mas não conseguia apagar a felicidade que brilhava. Sua casa estava repleta de Luz, sempre foi assim...

Mas, queria sair dali da sala desabalado num trenó puxado pelo Fusca e percorrer contigo o mundo inteiro como se fosse, e fizéssemos no mundo inteiro um dia de festa de Natal... E, foi. O senhor nasceu de novo, renasceu...

Decerto que sua mente poderosa tudo sabia, tudo sentia, tudo pensava, tudo via numa luminosidade que só é dada a perceber a quem chegou ao alto da montanha e pressente a Outra Aurora. Lá, Terras do Encontro aonde chegaram também amores de todas as estações passadas, e as nuvens formam o tapete que se confunde com a relva e canteiros de flores estreladas de um Jardim infinito...

Se todos vamos nessa vida, nessa subida em busca da Grande Síntese em Deus que nos reúna novamente naquele Jardim para re-encontrar a Inocência perdida - voltar à Casa do Pai -, poucos são os que caminham nesse mundo com a desenvoltura dos que se fazem Crianças, construindo dentro do peito aquele Reino de Amor dia a dia, no cumprimento dos deveres e afazeres do semear e plantar o Bem. Subir...

...”Corações ao Alto, e o nosso coração está com Deus”... e chega o Tempo/Espaço em que nós mesmos nos oferecemos, e nos consagramos ao Senhor Deus do Universo sozinhos com Ele, Face a face, Coração a coração, Mão a mão...

Chega para todos nós nessa Terra o Grande Dia, não aquele que muitos pensam ser o de “prestação de contas”, o de “pesar a alma numa balança” quando no outro prato há apenas uma pena, ou de “atravessar as águas no barco de Caronte”. Nem de longe nada disso. Grandes Almas são aquelas que presas à carne se fizeram “pequeninas”, Almas-Meninos a des-cobrir e des-velar véus e mistérios em seus atos, pensamentos e palavras de Amor ao próximo antes que a si mesmas.

São esses Meninos que, terminada aquela tarefa/missão da construção do Reino de Deus em seus próprios corações, cheios de contentamento batem palmas depois da Festa da Cumeeira da Casa pronta, quando se abrem os Portões Dourados para que se re-encontre o Paraíso adentrando o Jardim.

Foi tanto do gosto dele cultivar essa jardinagem dos nomes em folhas ligando pomares na Terra que, Tio Toninho também brotou semente que subiu raízes e troncos, cresceu em altura e lançou galhos e ramagens, abriu carinhos em flores e fruto, e se tornou perfume que se elevou até à cidade do mais belo horizonte onde moram as Constelações.

Para “Meu Tio Inesquecível” chegou esse Grande Dia e, certamente que há uma Festa no sétimo Céu. A mesa está posta com pão, manteiga, café, queijo do Serro, geleia de jabuticaba e outros quitutes que só mesmo a “Anastácia” de Deus sabe fazer nessas paragens que têm por teto luzeiro e hosanas, aonde os homens e mulheres que se fizeram como Crianças nos abençoam como anjos protetores e guias.

Eu até imagino quem vai sentado ali partindo pão e sorrisos, xícaras e taças para brindar a chegada do Menino Antônio depois de sua longa subida e caminhada... Ele, aqueles meninos Vicente, Bosco, Domingos Sávio, Antônio em companhia do Poverello de Assis e Clara, Rita de Cássia, Terezinha com o Menino Jesus e, também os Josés, Paulos, Augustos, Pedros, Antônios, Bernardos, Marias, Francisca, Guilhermina, Dolores, Clélia, Quidinho, Nhazinha, Luciana e tantos outros que te querem bem, tão bem-aventuranças o senhor viveu pelos caminhos...

Carinhos e gestos se fazem e-ternuradamente infinitos nesse Amor dos que se re-encontram novamente depois de vencida uma etapa na longa estrada nessa pauta eterna da Sinfonia da Vida, cuja nota agora é a da Gratidão...

Tio Toninho está vivinho da Silva Clementino nas estações que se sucedem umas às outras em novos galhos florescidos e crescidos dos filhos aos netos que, nesse tempo de saudades, vão e vem melancólicos nesse balanço feito de cordas e fitas coloridas nos abraços à Tia Tetê...

E, no Pomar onde o senhor se encontra, agora, à sombra generosa da Árvore da Vida, receba nossos mais puros e amorosos sentimentos, pensamentos e palavras de gratidão.

Nós que ficamos “aqui em baixo” faremos o melhor que pudermos para te honrar os exemplos. O senhor não é só uma lembrança, e nós te guardamos aqui, no peito choroso de saudade, sabendo que seu Espírito é eterno e que nos re-encontraremos num dia feliz.

Eu, todos nós te agradecemos por tudo o que foi e aconteceu tão lindo. O senhor fez grandes coisas, muito mais do que estava até além de suas forças. E, sua recompensa, me perdoe o Santo, é mérito seu, por conquista sua. Estamos sentindo tanto sua falta quanto sentimos sua Presença de Alegria Bem-Aventurança-Humorada em nossos corações.

Jóia que se tornou estrela de rara grandeza, engastou nessa coroa de feitos de uma vida inteira todos os espinhos que se transformaram em flor. E, morreu para se tornar tão imortal quanto aqueles que, em morrendo, “vivem para a vida eterna”... Deus te abençoou e, nos abençoe...

Não tem árvore nem folha bem escrita nesse mundo que não me fará re-lembrar do senhor com saudade e carinho, nem que não me dará coragem para subir minha montanha e encontrar Aquele Jardim.

É impossível não sentir alegria com essas boas lembranças...

E, quem concorda comigo, levante a mão para te alcançar muito além do Jardim das estrelas, e te beijar as mãos...

(...)

Um beijo... Muito obrigado Honorável Mestre e, até breve, Meu Tio Inesquecível: Antônio de Pádua Vianna Clementino.

De seu sobrinho pródigo,

Leopoldo Nogueira e Silva, Popô

Florianópolis
Nossa Senhora do Desterro
Ilha de Santa Catarina
Outono choroso e saudoso de 2012[1]


[1] Escrito em meados de abril de 2012 quando já Mestre, homenageio meu Honorável Tio, Tia Tetê e família nos agradecimentos da dissertação impressa. Fazia, agora, o memorial para meu projeto de doutorado quando recebi a notícia do desencarne dele, justamente enquanto estava em oração por ele e sua família que estão sempre em meu coração. Eu amo vocês...