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sábado, 17 de novembro de 2012

Florianópolis abalando nas mídias com as ruas em chamas: e, eu com isso?


Florianópolis abalando nas mídias com as ruas em chamas: e, eu com isso?

Quando a polititicagem da ilha de “belezas sem par” e da Santíssima Catarina da Tríplice Aliança se prestarem a encarar e assumir suas responsabilidades pessoais/coletivas nos cargos que ocupam, prestando o necessário serviço à sociedade ao invés de apenas mamarem nas tetas cornucópicas dos poderes, vai que tudo não apenas se disfarce de “paz” e “tranquilidade pro nosso cidadão”, e a situação volte “a “normalidade”, “cessem” os “transtornos” e que “o bem já venceu o mal”...

Assim disseram, com cara de compungidos borocoxôs, as apresentadoras do Jornal do Almoço RBS/SC 17/11/12), e o presidente da SETUF – o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis – parecendo demonstrar infinita preocupação com a qualidade vida dos motoristas, cobradores e passageiros. Além disso, sabemos da preocupação em relação ao patrimônio (não segurado) de suas empresas. Cenas anteriores e seguintes, Carnafloripa, festival de música eletrônica, reforço da PM contra o “terrorismo”, uma outra notícia final sobre “solidariedade” para afagar o coração dos espectadores/consumidores tão “quiridos”.

Tudo normal para a mídia no papel dela de des-informar e manter a notícia quentinha na cabeça do povo sob os panos com suas chamadas urgentes, seus plantões de notititícia das fofocas que aquela “gente faz pra você”... O jornal foi muito, digamos, mixuruca, pois que não botaram mais fogo pelas ruas para que o show midiático fizesse as delícias da dieta informacional do dia. Ó céus, ó azar...

Que “normalidade” seria essa para esse “pedacinho de terra perdido no mar”? Que a polititica e os des-mandos continuem na paz da mesmice desse “amor” e solicitude dos poderosos pela ilha? Que se apagassem os focos de uns incêndios para que esses não revelassem outros?

No mais, que “bandidos” são esses cujos alvos são “aterrorizar” a população atacando os motoristas e cobradores dos ônibus, os PM nos postos guardando a serenidade dos que dormem sossegados pela madrugada? Esses pobre-coitados são tão explorados pelo “regime” quanto a população pé de chinelo que segue aflita pela vida e seus afazeres, quando era feriado nessa sexta (16/11) apenas para expressiva parte dos servidores públicos estaduais, e seus digníssimos representantes da elite de raposas velhas e novas da polititica regional...

E, de qual “bandidagem” estamos tratando? De laranjas pés de chinelo, explorados que entopem as cadeias e cumprem ordens de outros mandatários, ou dos que cometem os crimes de estelionato, prevaricação, improbidade administrativa, também soltinhos da silva que trabalham e moram muito bem, e muito além das zonas de maior “periculosidade”? Esses não andam de ônibus em comboio, escoltados pela PM solícita na defesa dos “cidadãos”.

Se por uma infelicidade e completa atrocidade fossem os alvos as lanchas e carrões importados, os domicílios nobres ou as cadeiras almofadadas de gabinetes de poderosos, aí sim, que o ”high society “ de uma Florianópolis em chamas teria abalada as mais sacrossantas bases da ordem e do progresso republicando tão formosamente representados pelos diligentes e dirigentes das santíssimas alianças que se fazem aqui na Capitania Hereditária há 500 anos.

Fazer promessas “Por uma cidade mais humana” é fácil, fácil, quando o real interesse dos nobres mandatários legitimados pelo voto parece ser manter a desordem, e a confusão generalizada, para que eles mesmos se apresentem como os salvadores da pátria e de tudo o que desassossega o cidadão/eleitor.

Será que os quase não eleitos César Júnior e João Amim vão se prestar a fazer mais que “sincronizar os semáforos” para resolver os problemas de trânsito do município ou, segundo seu folhetim eleitoreiro, ir além da constatação de que “a Guarda Municipal é uma fábrica de multas” e ele “vai cuidar das praças e da porta das escolas para a proteção de nossas crianças”? Aliás, nem deram ainda as caras para falar do assunto ao povo, ao cidadão aterrorizado...

Quem sobreviver às noites e dias de “terrorismo” verá o que virá: aumento das tarifas do transporte urbano, engarrafamentos de verão, acidentes e mortes, falta de infraestrutura, navios e cruzeiros que não atracam, falta de água, e a mesmice da “paz” na ilha da fantasia no verão que chega e das estações que se sucedem inalteradas.

Que os defensores do voto branco e nulo no segundo turno das eleições em Florianópolis sejam os primeiros da fila a enfrentar os cacetetes, bombas de gás lacrimogêneo e tirania, da PM e dos guardadores das virtudes republicanas que nessa semana saíram em prestimosa defesa dos cidadãos e cidadãs da Grande Florianópolis e do Estado da Santíssima e milagreira Catarina. Esse circo polititico e midiático armado com idiotas mal humorados, no picadeiro e nas arquibancadas, vai pegando fogo...

Sairá tudo no Jornal do Almoço e nos “shows da vida”, no prato feito da notícia entre sangue, ostras e champanhes importadas, com as inevitáveis matérias requentadas do arrozinho com feijão da mídia, como é feito todos os anos... e os borocoxôs seremos muitos de nós a assistir a mesmice, omissos e coniventes com tantas “belezas sem par” nos horrores que acontecem e arranham a imagem da “capital do turismo do Mercosul” com Índice de Desenvolvimento Humano e delírios de grandeza na estratosfera, afofando almofadas, esquentando travesseiros e assentos, acompanhando a propalada calamidade pública pelas telas. Vidiotas e cidadãos sem direitos, com indigestão crônica pelo que essa classe dominante nos enfia goela abaixo, alienados de qualquer traço de dignidade humana.

Quando a consciência cidadã estiver no limite da azucrinação e indignada com tantos bandidos, malfeitos e mal-feitores da senzala política e midiática é que mais que um milagre acontecerá nessas bandas. Com tantas notícias muitas vezes bem plantadas, com requintes tecnológicos, cores e gostos para a persuasão do povo espectador de tantas des-ordens, há que se ir até as raízes dos fatos para des-cobrir o que produz tudo isso e, lutar para a vivência e plenitude dos direitos nesses mares, ilhas e desertos com suas “matas escuras” de caçadores e caças de culpados, de bandidos e mocinhos na luta do bem contra o mal nesse mundinho de falta de vontade de mudar, de não transformar nada.

E eu com isso?

Eu creio que sobra incêndio onde falta luz interior... e, o que seja bondade e ruindade começa ali, bem dentro da gente.

Então, vou me fazer, ser e sentir “caçador de mim”. Querer ser nessa vida nos faz assim, estar numa ilha e nesse mundo sem ser deles, “sem nada a temer, senão o correr da luta”, sonhando e realizando, dia a dia na des-coberta de uma vida, do bem conviver e do bem viver para todos... consciência cosmocidadã...

Seguir nesse caminho de amadurecimento e aprofundamento, na com-paixão, na paz e alegria com o Outro, na Educação vivida com amor, porque “ordem e progresso” num sentido mais profundo só virão quando formos conscientes de nossa dignidade, responsáveis com a devida coragem e boa vontade para mudar o que seja preciso na busca e na entrega a uma harmonia que promova a re-evolução, pessoal, comunitária, fraternal, verdadeira solidariedade que co-mova os corações e mentes numa comum-única-ação, ascensão numa luz que incendeia o universo...

As estrelas que o digam, e nos indiquem esses possíveis caminhos para nos e-levarmos a esse Outro Mundo tão querido...

Leo Nogueira Paqonawta

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As notititícias da dieta informacional de cada dia...



As notititícias da dieta informacional de cada dia...

Leo Nogueira Paqonawta
Filosomídia

O que digerimos do que a “mídia” histérica – mas sagaz – nos “alimenta” cotidianamente fermenta esse “angu de caroço” numa sociedade que devora a notititícia como se fosse morrer caso não chupasse, até à medula, do osso duro de doer da receitinha dos “jornais do almoço” que estão por aí, Brasil e mundo afora...

Essa sociedade midiaticamente obesa está adoentada e vidiotizada, sem perceber isso quando se põe à frente das telinhas e páginas dessas empresas de anti-comunicação definindo gostos, paladares e o menu da discussão que vai engasgando a todos 24 horas por dia, sete dias por semana, ano após ano...

Quantos de nós já paramos para ver – e re-ver, re-fletir, re-pensar - como as redes de anti-comunicação anunciam o prato do dia desde a noite anterior e seguem pela madrugada e manhãs, requentado a marmita do vomitório dos especialistas de plantão em assuntos de toda e qualquer ordem?

Quem são esses homens e mulheres, apresentadores e porta-vozes de uma maneira de ver o mundo que nos impõem como única maneira de crer?

Para a população ingênua e adestrada no consentir ao discurso da ordem do dia, como não acreditar nessas pessoas bem apessoadas e vestidas nos trinques que desfilam das “antigas” bancadas de locutores para o passeio pelas telinhas, em geral esfregando as mãos como querendo expressar que “já estamos no papo”, deles?...

Aquela infeliz adolescente de Florianópolis com o seu “Diário”, alçada ao estrelato nos programetes que fazem sucesso nas grandes redes - e na “Rede Social” da hora - é uma dessas vítimas da dieta informacional que nos enfiam goela abaixo pelo dia inteiro, por todas as formas. O caso é que, de vítima, ela (e com certeza seus familiares) passaram (talvez) inconscientemente à condição de co-autores dos crimes perpretados em nome da liberdade de expressão por essas companhias produtoras e distribuidoras de informação como entretenimento, cereja do bolo da des-informação em suas receitas sensacionalistas.

O que parece ser democratização das vozes, “pelos”, “através” e “dos” meios de comunicação não é senão demoniocratização, demonização de uns ou alguém, aquela coisa de apontar e achar culpados nisso e naquilo quando todos temos o rabo preso a esse sistema de coisas que impera em nossas vidas: a conveniência, a conivência, o comodismo, a hipocrisia como máscara no modo de ser desse capitalismo.

E, a histeria se retro-alimenta a cada “tocar” no assunto e no passar do dedo/mouse nos links que jorram des-informação, futricas, fofocas, meias-verdades e completas mentiras que fazem a delícia de todos os que consomem essa lavagem cerebral que nem porco aguenta, inclusive dos que também são chamados de PIG, aqueles que são os donos por detrás dessa lambança do chiqueiro midiático.

Haja colesterol ruim nas veias de quem tem sangue de barata que devora tudo isso, esse tititi e dis-que-me-diz disfarçados de “notícias” relevantes, que não podemos deixar de saber, e consumir, de sair de casa sem sabê-las, de tê-las instantaneamente, aonde estivermos, ao toque de um dedo no aplicativo das engenhocas tecnológicas que tantas pessoas têm acesso cada vez mais.

Essa neurose doentia e insana toda é que produz esses infelizes momentos protagonizados por uma adolescente indisfarçavelmente de poucas palavras, e de muitas tecladas, obviamente secundada por um “staff” que lhe apoia, e outro que se aproveita da situação para criar mais e mais des-entendimento e confusão premeditada, calculada milimetricamente como ração de engorda dessa vara desvairada e incauta, ingênua, em-bobecida, vidiotizada, que coloca sua fé naquilo que lhe dizem, justamente por não terem opinião formada sobre nada.

Na ampliação dessa específica fala postada nas redes é que aquelas empresas também engordam seu faturamento, porque elas sobre-vivem das esmolas e dos restos de cada um que consome, ou paga com suas moedinhas para ter acesso a toa essa dieta, os sub-viventes.

Também não é à toa que até nos supermercados as gôndolas próximas aos caixas se enchem de revistas das mesmas companhias monopolizadoras, para que os compradores desse modo-de-vida enfiem nas sacolinhas plásticas a mais recente dica disso e daquilo, os moldes do vestido e do cabelo da fulana de tal, as receitas requintadas, o corpitcho do galã desnudo, os guias de viagem e de carros, os jornalecos com toda sorte de anúncios que vão misturados aos potes de manteiga e salsichas, sacos de arroz e feijão, o pão deles - das mídias - de cada dia. Tudo parece tão normal, essa oferta opressante e agressiva de quinquilharias do mundo do consumo...

Essa liberdade de opressão das empresas chamadas de “mídias”, que monopolizam o discurso, a voz, a fala também em nome a democracia teria limites? Quem dá ou determina os limites contra esse assédio sem fim das mídias? O marco regulatório a partir do governo, as ONGs, a sociedade civil, as donas de casa, os pais e responsáveis, a comadre e o compadre de nossa madrinha ou padrinho, os avós ou tias, as instituições de defesa dos direitos humanos, os sindicatos, as associações de classe, as escolas, os professores?

O caso é que a indigestão midiática está posta como mal do século sem que quase ninguém se aperceba disso muito claramente.

As escolas como aparato ideológico do mercado - capitalista, diga-se de passagem - são no mais das vezes des-merecedoras de recursos constitucionalmente determinados para a Educação, e professores fazem o que podem, e até onde têm forças, para que os projetos políticos pedagógicos de cada unidade escolar contribuam para a boa formação das crianças e adolescentes em nosso país. Tantas outras vezes acabam se rendendo à reprodução desse estado de coisas des-humanizante que muitos polititicos fazem questão de perpetuar, esses mesmos que se fazem vassalos do sistema hegemônico e consagrado ao consumo desmedido. Eles até são pagos para isso..

E, as notititícias, como fofocas e futricas diárias desse mundo agonizante, vão e vêm em todos os horários, nobres e plebeus de todas as classes de consumidores, trazidos pelas empresas e grandes corporações que controlam os meios comunicação.

Salve-se quem puder dessa dieta informacional cada vez mais intragável e, quanto pudermos, muito bom ter os olhos críticos muito maiores que o que nossa barriga, e paciência, possa suportar. Chega um dia, ou uma hora, em que não dá mais pra ficar chupando o dedo, até o osso, olhando tudo isso passar à nossa frente e, é preciso agir e re-agir, indignar-se contra isso, contra qualquer forma de opressão e agressão, seja das mídias e, até mesmo quando no caso ela venha no que aparentemente seja por uma adolescente que age “sozinha” nas redes sociais.

Em sã consciência, nós não devemos ser cúmplices disso, dessa liberdade de opressão e opinião que com o tempo enche tanto o saco - o de plástico do supermercadinho da mídia e o metafórico - que é preciso dizer basta! Basta de re-produzir a opressão, a agressividade legitimada pela mídia que diz saber das coisas e ser a dona da verdade! “Hay que endurecerse” contra qualquer tirania...

No mais, “deixai vir às mídias as criancinhas”, porque vai que aqueles que se fazem mesmo de crianças é que têm algo realmente importante, e digno, de relatar, de falar, de com-partir ao mundo sob os únicos holofotes de uma alegria interior que re-encante e eleve o mundo e suas gentes...

Que isso seja aspirado e possível, também e especialmente, pela escola pública, por sua comunidade compromissada e responsável, engajada e sincera nos esforços pela Educação de qualidade, com dignidade, paixão, bem querer e bem viver para todos.

...

Bem que vejo tudo isso...

Bem te quero, crianças... e adolescentes, homens e mulheres com direitos e deveres nesse mundo que necessita tão urgentemente dessa Educação, e da mais pura alegria de viver, de ternuras e amores tão esquecidos por nós...

...

Leia também:

Postagem de Sérgio Cardoso Morales sobre o "Diário de Classe" no Facebook, clicando aqui.

"Manifesto das Crianças" clicando aqui.

domingo, 22 de julho de 2012

Os Três Porquinhos: "As ideologias que ensinamos às crianças"...

As ideologias que ensinamos às crianças...

Ligia Deslandes

Hoje, fiquei tentada pelo meu filho de 25 anos a escrever sobre a consciência política e os valores das novas gerações. No caso, as nossas crianças e os nossos jovens e adolescentes. Sou mãe de quatro filhos e avó de dois netos. Fora isso, sou sindicalista e professora! Além disso, promovo um projeto cultural de dança voltado a jovens e adolescentes.

No bojo de tudo isso o que estou tentando fazer é empreender esforços para que crianças e jovens possam ter uma educação de qualidade. A qualidade não da informação, que isso hoje existe aos borbotões, de várias nuances e com vários significados, mas, a qualidade da formação política, da consciência cidadã, a educação descolonizada, que nos falta a muitos.

Meus professores universitários foram importantíssimos para ajudar a despertar em mim o que já existia desde tenra idade, mas, meus professores da escola básica, esses, foram fundamentais junto com meus pais a me incutir os valores e crenças sociais. Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos...

Mas, voltando ao meu filho, que foi quem me provocou a fazer esse texto, reproduzo aqui a história que ele contou a seu filho, meu neto, dos Três Porquinhos. Confesso que fiquei orgulhosa da inovação dele e vivenciei de outra forma (como se não soubesse) a responsabilidade que os pais tem nas crenças dos filhos.

"Era uma vez um lobo solitário que queria muito ter amigos. Nas suas andanças procurando um amigo encontrou um porquinho que vivia numa casa de palha. O porquinho olhou o lobo pela janela e ao ver sua aparência, preto, alto, forte, uma boca enorme e cheia de dentes, ficou desconfiado e não abriu a porta.

O lobo gritava para o porquinho. Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo! E de tanto gritar e por ser forte e grande, a força de seu grito fez desmoronar a casa de palha do porquinho que já estava discriminando o lobo por sua aparência, mais assustado ainda ficou e fugiu. O lobo foi atrás do porquinho gritando: Eu quero ser seu amigo!  Eu quero ser seu amigo!

O porquinho entrou na casa de madeira de seu irmão e lá ficou. O irmão do porquinho olhou o lobo e julgando-o como seu irmão pela aparência não abriu a porta! O lobo continuou a gritar: Quero ser seu amigo! Quero ser seu amigo! E de tanto gritar e seu grito era forte, derrubou a casa de madeira do irmão do porquinho, que abrigava os dois porquinhos que também não tinha alicerces como a casa de palha. Os dois porquinhos fugiram para a casa de tijolos de seu outro irmão e o lobo foi atrás, sempre gritando: Eu quero ser seu amigo! Eu quero ser seu amigo!

O terceiro irmão também discriminou o lobo pela sua aparência e não deixou ele entrar na casa. E o lobo continuou gritando. Depois de algum tempo, começou uma chuva torrencial. E o lobo lá fora gritando: Eu quero ser seu amigo!

Só então, os porquinhos admirados pela constância do lobo em continuar ali gritando na chuva, resolveram sair para saber o que ele queria. Ouviram então o lobo emocionado dizer: Eu quero ser seu amigo! Juntos podemos mais!

Ainda desconfiados, chegaram perto do lobo, que todo molhado os abraçou e só então, só então mesmo, eles deixaram o lobo entrar na casa. E dali em diante lobo e porquinhos se tornaram amigos inseparáveis cada um fazendo o que sabe para tornar a vida na floresta um pouco melhor."

Vou restringir aqui os comentários do meu filho com o filho dele a respeito da história. Pois, ele tece comentários junto com o texto. Ah, esse meu neto só tem 10 meses. Mas, segundo ele presta muita atenção a história e só dorme quando ele termina. Vou restringir também meus comentários. Vocês leram a história e podem tirar suas conclusões!

A consciência política começa desde pequenino.

Reproduzido de Ligia Deslandes
22 jul 2012

Comentário de Filosomídia:

Essa linda estória de amizade e solidariedade, e compromisso e amor pela educação entre avó, filho e netos me deixou co-movido...

Lígia, falou e disse, toca numa ferida aberta que não cicatriza...

“Daí, entendo por que os professores da escola básica são tão desvalorizados em seus salários pelos Governos. São eles que irão padronizar as mentes e corações nas crenças despolitizadas, colonizadas e subalternas através das inúmeras mensagens e ensinamentos que se produzem nas escolas. E serão apoiados pelas famílias que produzem em suas casas as mesmas mensagens e os mesmos conhecimentos. Ou não! Daí os conflitos”...

E, fantástica a estória dos Três Porquinhos contatada por seu filho aos netos. Compartilho contigo, Lígia, o orgulho que tive também ao ler o texto. Sim, “juntos podemos mais” e é desse jeito que vamos re-evolucionar o mundo, provocar re-vira-voltas!

Lindo, lindo, co-movente...

Obrigado a vocês e um abraço, um beijo e um pedaço de queijo para seus netos.

(...)

Os Três Porquinhos é um conto de fadas cujos personagens são exclusivamente animais. As primeiras edições do conto datam do século XVIII, porém, imagina-se que a história seja muito mais antiga. Wikipedia

domingo, 11 de março de 2012

Você mesmo é o professor e o aluno, você é o mestre: Você é tudo...


"And to understand is to transform what is.
…What we are trying…
is to see if we cannot radically bring about a transformation of the mind…
Not accept things as they are…
but to understand it, to go into it, examine it,
give your heart and your mind with every thing that you have to find out.
A way of living differently.
But that depends on you and not somebody else.
Because in this there is no teacher, no pupil.
There's no leader, there is no guru, there's no master, no savior.
You yourself are the teacher, and the pupil, you're the master, you're the guru, you are the leader…

You are everything!



"You must understand it, go into it, examine it, give your heart and your mind, with everything that you have, to find out a way of living differently. That depends on you, and not on someone else, because in this there is no teacher, no pupil; there is no leader; there is no guru; there is no Master, no Saviour. You yourself are the teacher and the pupil; you are the Master; you are the guru; you are the leader; you are everything.

Você deve entendê-lo, entrar nele, examiná-lo, dar o seu coração e sua mente, com tudo o que você tem, para descobrir uma maneira de viver de forma diferente. Isso depende de você, e não em outra pessoa, porque neste não há nenhum professor, nenhum aluno, não há líder, não há guru, não existe nenhum Mestre, nenhum Salvador. Você mesmo é o professor e o aluno, você é o Mestre; você é o guru, você é o líder, você é tudo.

You yourself have to be the master and the pupil. The moment you acknowledge another as a master and yourself as a pupil, you are denying truth. There is no master, no pupil, in the search for truth.

Você mesmo tem que ser o mestre e o aluno. No momento em que você reconhece o outro como um mestre e de si mesmo como um aluno, você está negando a verdade. Não há nenhum mestre, nenhum aluno, na busca da verdade.

Understanding is NOW, not tomorrow. Tomorrow is for the lazy mind, the sluggish mind, the mind that is not interested . . . the change that takes place tomorrow is merely a modification, it is not a transformation. Transformation can only take place immediately; the revolution is NOW, not tomorrow.

Entendimento é AGORA, não amanhã. Amanhã é para a mente preguiçosa, a mente lenta, a mente que não está interessado... a mudança que ocorre amanhã é apenas uma modificação, não é uma transformação. Transformação só pode ocorrer imediatamente, a revolução é agora, não amanhã.

Everything about us, within as well as without - our relationships, our thoughts, our feelings - is impermanent in a constant state of flux. Being aware of this, the mind craves permanency, a perpetual state of peace, of love, of goodness, a security that neither time nor events can destroy; therefore it creates the soul, the Atman, and the visions of a permanent paradise. But this permanency is born of impermanency, and so it has within it the seeds of the impermanent. There is only one fact impermanence.

Tudo sobre nós, tanto dentro como fora - nossos relacionamentos, nossos pensamentos, nossos sentimentos - é impermanente em um constante estado de fluxo. Ciente disto, a mente anseia por permanência, um perpétuo estado de paz, de amor, de bondade, um título que nem o tempo nem os eventos podem destruir, por isso ele cria a alma, o Atman, e as visões de um paraíso permanente. Mas esta permanência é nascida de impermanência, e assim que tem dentro de si as sementes do impermanente. Há apenas um fato a impermanência.

Sensations give rise to craving.
If sensations cease, craving ceases.
When craving ceases, suffering ceases.

Sensações dão origem ao desejo.
Se as sensações cessarem, o desejo cessa.
Quando cessa o desejo, o sofrimento cessa.

If you are very clear, if you are inwardly a light unto yourself, you will never follow anyone.

Se você está  bem compreendido, se você tiver interiormente uma luz para si mesmo, você nunca vai seguir ninguém.

Freedom and love go together. Love is not a reaction... To love is not to ask anything in return, not even to feel that you are giving something - and it is only such love that can know freedom. 

Liberdade e amor andam juntos. O amor não é uma reação... Amar é não pedir nada em troca, nem mesmo a sentir que você está dando alguma coisa - e é só o amor de tal forma que possa conhecer a liberdade."






Documentário de 1966