sábado, 6 de fevereiro de 2010

Tu me entendes?


Célia Laborne Tavares
in O Quinto Lótus


Em torno a luz começa se fazer. _ Tu me entendes? É o encontro que passa a ser claro e sem mistério. Morre o tempo angustiado da confusão e fácil é, agora, colher cada flor no seu dia de glória. Não há mais dúvidas, nem suposições; podem-se distinguir os marcos do roteiro. Nada, senão o intransferível encontro consigo próprio, pode caracterizar um momento de tão profunda harmonia. Nada, senão o reconhecimento do caminho, sabe conferir certezas duradouras à longa busca que precede o encontro.

Em torno a verdade vai-se fazendo. E, então, já não importa o tempo de prova, da procura, do desassossego. Então tudo é passível de união, de transferência, de comunhão com o mundo. O interior iluminado desdobra-se para conferir realidade a essa comunicação.

Se é apenas por um instante que a luz se fará não se pode saber, nem julgar, nem pretender encurtá-la ou prolongá-la. Mas, nesse intervalo é que germinam as auroras, crescem as plantas e se purificam as águas.

Em torno a luz se faz. _ Tu me entendes?

Há uma mensagem imensa pairando sobre todos no caminho da fraternidade, da concórdia, da igualdade, da solução dos conflitos. Ecoa em cada terra a voz da justiça, da humanidade, do amor.

_ Tu não a ouves?

Às vezes, procura-se plantar sob falsas aparências e errados lemas um ideal que não pode nascer do egoísmo ou da vaidade do homem, mas deve partir de sua força maior, de sua energia mais sutil, ou de seu espírito uno, em ascensão.

Aurora e mar desfazem o segredo antigo diluindo-se, iluminando, amanhecendo num contínuo rodízio de promessas. _ Como se tudo pudesse estar ali resumido, condensado, mesclado.

Começam a surgir os símbolos para despertar o mundo e basta-nos enfrentar a névoa para chegarmos às claridades. A síntese da criação se dá a conhecer e a espiral se eleva.

No grupo íntimo dos despertos as responsabilidades se acentuam porque o tempo vai renascer, breve. Por isso vê-se em tudo a flor do pensamento desabrochando-se, repartindo-se, estendendo raízes longas e caules flexíveis, prendendo, enlaçando. É a rede do primeiro aprendizado.

Liberado o perfume, marca-se a cor e a forma do encantamento: _ como se tudo estivesse ali para ensinar, para repetir, para levar ao dom da procura. De uma só origem para um único tema todos buscam a fonte de unidade, todos são chamados a reunirem-se em aurora e luz.

E, no momento, mais não seria perguntado, nem esperado. estava completo o ciclo para a importante etapa, para o crescer contínuo e a participação no eterno. Hora de diluir-se e unificar-se, porque o tempo é de pétalas iluminadas.


Conheça mais no Blog da autora: Vida em Plenitude

domingo, 25 de outubro de 2009

Antakarana


ANTAKARANA

Nome de origem, Tibetano. É uma palavra sânscrita (Antar = meio ou interior e Karana = causa instrumento). O Antakarana é usado, tecnicamente para representar a ponte entre a mente superior e inferior, o instrumento operacional entre elas. Antakarana como parte da anatomia espiritual cósmica. Ele é a ligação entre o cérebro físico e o Eu interior.E a concentração e unificação das energias da matéria com o cosmos, ciência futurista para o bem, e o bom desenvolvimento dos trabalhos com os nossos queridos companheiros.

jola Eidos 2

jola Eidos 1

sábado, 13 de setembro de 2008

Liberdade ainda que tardia...


Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais

Para Lennon & McCartney . Flávio Venturini . Lô Borges . N. Borges . Fernando Brant

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cantar me enlouquece...



Cantar me enlouquece

Rabindranath Tagore

Quando me ordenas cantar,
parece que o meu coração vai arrebentar-se...
Pensei que poderia te pedir

a grinalda de flores que levas no pescoço...
Essa que ficou sempre na profundidade do meu ser...
A minha libertação...


Daqui por diante eu me expressarei em sussurros...
Cantar me enlouquece...
Quando me ordenas cantar,
parece que o meu coração vai arrebentar-se de orgulho.

Então contemplo a tua face e as lágrimas me vêm aos olhos.

Tudo o que é duro e dissonante em minha vida

se dissolve em única e doce  harmonia,
e a minha adoração abre as suas asas,
como um pássaro alegre voando sobre o mar.

Sei que tens prazer no meu canto.
Sei que posso chegar à tua presença apenas
como um cantor.

Com a ponta da asa imensamente
aberta do meu canto eu roço os teus pés,
que eu jamais poderia querer alcançar.

Embriagado pela alegria de cantar,
esqueço a mim mesmo e te chamo amigo,
tu que és o meu Senhor.


Pensei que poderia te pedir

a grinalda de flores que levas no pescoço,
mas não me atrevi.



Fiquei esperando pela manhã,
quando tivesses ido embora,
para encontrar pedaços dela no leito.


E fiquei na madrugada feito mendiga,
procurando uma ou duas pétalas caídas.

Coitada de mim, o que foi que encontrei?

O que me restou do teu amor?
Nem flor, nem perfume,

nem jarro de água perfumada...


Apenas a tua espada poderosa,
flamejante como chama
e pesada como raio na tempestade.


A luz jovem da manhã entra pela janela
e se derrama em teu leito.
O pássaro da manhã começa a cantar,
e me pergunta:
"Mulher, o que é que encontraste?"
Não, não foi uma flor,
nem perfume e nem jarro de água perfumada.

Encontrei apenas a tua espada poderosa.

Sento-me e fico cismando,

admirada com essa tua dádiva.
Não acho lugar onde escondê-la.
Tenho vergonha de usá-la, tão frágil sou,
e ela me fere quando eu a aperto contra o peito.
Mesmo assim, porém, eu levarei no meu coração
esse honroso fardo de dor,
que é a tua dádiva para mim.

Doravante nada mais temerei neste mundo,

e tu conquistarás a vitória em todas as minhas lutas.


Deste-me a morte por companheira,
e eu vou coroá-la com a minha vida.
A tua espada está comigo para cortar as minhas amarras,
e nada mais temerei neste mundo.

Doravante eu abandono todos os adornos fúteis.

Senhor do meu coração,
não vou mais ficar esperando

ou me desesperando pelos cantos,
e nunca mais vou ser tímida ou caprichosa.


Deste-me como ornamento a tua espada.
Não preciso mais dos enfeites de boneca.

Essa que ficou sempre na profundidade do meu ser,

no crepúsculo de vislumbres e percepções momentâneas;
essa que jamais retirou seus véus na luz da manhã,
essa irá ser a minha última oferenda a ti,
meu Deus, envolta na minha canção final.

As palavras a cortejam,

mas não conseguiram vencê-la,
e a persuasão inutilmente
estendeu para ela os seus braços ansiosos.

Vaguei de país em país,

conservando-a no íntimo do meu coração,
e ao redor dela a minha vida ergueu-se e caiu,
ao mesmo tempo forte e frágil.

Embora habite sozinha e afastada,

ela sempre reinou sobre todos os meus pensamentos e ações,
sobre todos os meus sonos e sonhos.

Muitos bateram à minha porta,
perguntaram por ela, e foram-se embora,

sem esperança.

Ninguém no mundo conseguiu vê-la face a face,

e ela continua em sua solidão,
à espera do teu reconhecimento.


A minha libertação, para mim,

não está na renúncia.
Sinto o abraço da liberdade em mil laços de prazer.


Daqui por diante eu me expressarei em sussurros...
...Gastei muitas e muitas horas

na luta entre o bem e o mal.


Mas agora o prazer
do meu companheiro de jogos nos dias vazios
é atrair o meu coração para o seu.

E eu não compreendo por que esse repentino convite
para não sei qual inútil inconsequência!

Cantar me enlouquece,

e se eu me desfizesse todo num vôo de canção,
nada me pesaria tanto...

Tradução de Ivo Storniolo




Música de Deva Premal e Minte